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Consórcio bateu todos os recordes em 2025 e a ABAC projeta mais 11% em 2026 — os números do Anuário oficial

Anuário ABAC 2026: consórcio fechou 2025 com R$ 500 bi em créditos, 1,77 mi contemplados e 12,76 mi participantes. No 1º trimestre de 2026, créditos subiram 22,6%.

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Rodrigo Freitas

Rodrigo Freitas

Engenheiro (UNESP) · CPA-20 (ANBIMA) · Cofundador de fintech · 20+ anos em tecnologia financeira

Mesa de escritório em São Paulo com notas de R$100 azul turquesa, gráfico de barras em papel e calculadora sob iluminação quente
R$ 500 bilhões em créditos comercializados em 2025 — o maior número da história do consórcio brasileiro

R$ 500,27 bilhões. Esse foi o volume de créditos comercializados pelo sistema de consórcio em 2025 — 32,1% a mais que em 2024. O número agora é oficial: a ABAC lançou em maio de 2026 o Anuário do Sistema de Consórcios — Desempenho 2025, e ele consolida o que já sabíamos pelos boletins mensais — só que agora com fechamento auditado: 5,16 milhões de novas cotas vendidas, 12,76 milhões de participantes ativos em dezembro, 1,77 milhão de consorciados contemplados e R$ 123,16 bilhões em cartas de crédito liberadas. Pra colocar em escala: meio trilhão em créditos é mais do que o PIB de 20 estados brasileiros.

E sabe o que impressiona? 2026 começou ainda mais quente. No primeiro trimestre, o sistema acumulou 1,38 milhão de novas adesões — 12,2% a mais que o mesmo período do ano passado — e R$ 129,16 bilhões em créditos comercializados, alta de 22,6% (ABAC, mar/2026). Os participantes ativos chegaram a 12,93 milhões em março, crescimento de 13% no ano. Quem achava que 2025 era pico vai precisar rever as projeções.

Os recordes de 2025 em números

Vou listar porque os números merecem destaque individual. Em outubro de 2025, o setor bateu o recorde absoluto de adesões: 518.180 cotas vendidas num único mês. Nunca aconteceu antes. Na média, foram 430 mil cotas por mês ao longo do ano — ritmo 15% mais rápido que 2024.

Na ponta do lápis: os créditos comercializados pularam de R$ 378,73 bilhões em 2024 pra R$ 500,27 bilhões em 2025. A diferença de R$ 121,5 bilhões num único ano daria pra construir 300 mil apartamentos de R$ 400 mil. Não é pouca coisa.

O número de consorciados também é inédito. Passou dos 12 milhões em julho de 2025 — pela primeira vez na história — e fechou dezembro em 12,76 milhões. Alta de 13,8% sobre 2024, quando eram 11,21 milhões. Em março de 2026, o número avançou ainda mais: 12,93 milhões de participantes ativos, crescimento de 13% no ano. Veículos leves sozinho fechou 2025 com 5,38 milhões de participantes — outro recorde histórico do segmento, segundo o Anuário ABAC.

E tem outro número que o anuário trouxe e que a maioria das pessoas ignora: as contemplações. Foram 1,77 milhão de consorciados que receberam a carta de crédito em 2025 — alta de 4,1% sobre 2024. Em valor, isso virou R$ 123,16 bilhões liberados — 22,4% a mais que o ano anterior. Traduzindo: o sistema não só vendeu mais cotas, como também entregou mais bens. Quem entrou está sendo contemplado.

O ICSC, termômetro de confiança do setor publicado pela ABAC, bateu 64,6 pontos em fevereiro de 2026 — a segunda melhor marca da história do índice. Pra quem não acompanha, a escala vai de 0 a 100 — acima de 50 já é otimismo. As próprias administradoras estão apostando que o bom momento continua.

Imóveis: o segmento que explodiu

De todos os segmentos, imóveis foi o que mais cresceu em 2025. As adesões subiram 36,2%, os créditos comercializados avançaram 48,4% e as contemplações anuais chegaram a 145 mil — com R$ 30,24 bilhões distribuídos em cartas de crédito.

O ticket médio do consórcio imobiliário fechou dezembro em R$ 192.330. São cartas de crédito de quase R$ 200 mil, o suficiente pra dar entrada num apartamento de R$ 800 mil ou comprar um imóvel inteiro em cidades médias. E o segmento imobiliário sozinho movimentou mais de R$ 283 bilhões em créditos comercializados em 2025 — mais da metade de todo o volume financeiro do sistema, segundo o Anuário ABAC 2026.

Pra dimensionar o fenômeno: o consórcio imobiliário cresceu 294% em seis anos, segundo dados combinados da ABAC e da ABECIP. Em 2025, as contemplações de consórcio representaram 24,1% do total de imóveis financiados no país — praticamente um imóvel a cada quatro vendidos com crédito no Brasil passou pelo consórcio.

O que explica essa explosão? Juros altos. Mesmo com a Selic em queda — caiu pra 14,5% no COPOM de 29 de abril de 2026, segundo corte consecutivo de 0,25pp —, o financiamento imobiliário ainda é caro pra maioria das famílias. A Caixa cobra a partir de 11,19% ao ano mais TR no SFH (taxa balcão, fev/2026), e o CET — que inclui o seguro habitacional MIP/DFI obrigatório por lei — passa de 12% ao ano. Em bancos privados, o CET fica entre 12,5% e 13,5%. Num imóvel de R$ 400 mil, o custo total em 30 anos passa de R$ 1 milhão. No consórcio, com taxa de administração de 18% diluída em 200 meses, sai por volta de R$ 472 mil. A diferença paga um carro zero. Quem pode esperar, faz as contas e migra.

E a tendência não parou: no primeiro trimestre de 2026, as adesões de consórcio imobiliário cresceram acima de 30% sobre o mesmo período de 2025, com créditos comercializados em alta de mais de 25% (ABAC, mar/2026). Eletroeletrônicos acelerou ainda mais: +62,4% em adesões no bimestre.

Se você tá considerando consórcio de imóvel, vale rodar os números no simulador de consórcio antes de falar com qualquer vendedor.

Gráfico de barras horizontais comparando crescimento das adesões por segmento de consórcio em 2025: eletroeletrônicos +51%, imóveis +36,2%, serviços +16,9%, veículos leves +9,4%, motos +8,3%, pesados -15%
Crescimento das adesões por segmento em 2025 (dados ABAC, dez/2025)

Quem mais cresceu — e quem encolheu

Ninguém esperava o que aconteceu com eletroeletrônicos. A ABAC tinha projetado 23% de crescimento pro segmento — conforme as perspectivas da ABAC para 2025. Veio 51%. O dobro. O brasileiro descobriu que dá pra juntar num grupo e trocar de celular ou montar um setup de trabalho sem pagar juros — e foi em massa. O ticket médio deu um salto de 183,4% só em dezembro. Traduzindo: a galera está comprando eletrônicos mais caros pelo consórcio, não só geladeira e fogão.

Serviços avançou 16,9%, puxado por reformas, viagens e cirurgias estéticas. Motos cresceram 8,3% e veículos leves 9,4% — ritmos sólidos pra segmentos que já são os maiores em volume absoluto. Junto, motos e carros somaram 3,35 milhões de adesões em 2025.

O único segmento no vermelho foi veículos pesados: queda de 15% nas adesões. O motivo? Crise no agronegócio. O endividamento e a inadimplência recorde dos produtores rurais, somados às adversidades climáticas e à flutuação das commodities, fizeram as transportadoras pisarem no freio. A ABAC já havia sinalizado cautela das montadoras, e os números confirmaram.

Adesões por segmento de consórcio em 2025 com variação anual
SegmentoAdesões 2025Variação vs 2024
Veículos leves1,91 milhão+9,4%
Motocicletas1,44 milhão+8,3%
Imóveis1,35 milhão+36,2%
Eletroeletrônicos200,80 mil+51,0%
Veículos pesados197,93 mil-15,0%
Serviços61,73 mil+16,9%

Por que o consórcio cresce com Selic alta

A lógica é contraintuitiva mas simples. Quando os juros sobem, o financiamento fica mais caro. E o consórcio não cobra juros — cobra taxa de administração, que é fixa e definida no contrato. Enquanto o financiamento imobiliário da Caixa salta pra 13,5% a.a., a taxa de administração do consórcio continua em 15% a 20% diluída no prazo inteiro. São custos de natureza diferente, e a Selic alta faz o consórcio parecer — e ser — mais barato no comparativo.

O segundo fator é o mercado de trabalho. O desemprego caiu pra 5,1% no trimestre encerrado em dezembro de 2025, o menor da série histórica do IBGE desde 2012. Com 103 milhões de pessoas ocupadas e 38,9 milhões com carteira assinada, mais gente tem renda estável pra se comprometer com parcelas de longo prazo. A PNAD Contínua do IBGE confirma: a renda real do trabalho cresceu 7,5% em 2025.

E tem o fator psicológico. Quando o brasileiro vê que o financiamento custa R$ 1 milhão por um imóvel de R$ 400 mil, a alternativa sem juros — mesmo com espera e reajuste — ganha atratividade imediata. O consórcio virou refúgio de quem tem planejamento e não quer pagar o preço dos juros compostos.

Se você quer entender como o consórcio funciona na prática, o guia sobre o que é consórcio explica o mecanismo do zero.

O que a ABAC projeta para 2026

A ABAC projeta crescimento de 11% pro sistema como um todo em 2026. É um número mais conservador que os 15% de 2025, mas com distribuição desigual entre segmentos.

Imóveis deve crescer 25% — o segmento mais forte de novo. Eletroeletrônicos, 20%. Serviços, 8,5%. Motos, 7%. Veículos leves, 6%. Pesados fica estável — a ABAC não espera recuperação significativa enquanto o agro não reequilibrar as contas.

E tem dois fatos recentes que dão peso a esse otimismo. O COPOM iniciou um ciclo de corte da Selic em março de 2026, depois de seis meses parados em 15% — primeiro foram 0,25pp pra 14,75% em 18 de março, e depois mais 0,25pp pra 14,5% em 29 de abril. Dois cortes consecutivos, unânimes, e com um recado claro na ata: o BC trabalha com “serenidade e cautela” enquanto o IPCA ainda projeta 4,86% pro fim do ano. O Boletim Focus precifica Selic em 12,50% até dezembro — se acontecer, serão 2,5 pontos de queda no ano. E tem mais: a renda das famílias deve crescer 4% em 2026. Mais gente com dinheiro no bolso, mais gente conseguindo bancar parcela longa.

Agora, um ponto que ninguém está discutindo: se a Selic cair rápido demais, o financiamento volta a competir com o consórcio. Hoje, com CET imobiliário entre 12% e 13,5% ao ano (juros nominais a partir de 11,19% mais IOF e seguro habitacional MIP/DFI obrigatório), o consórcio ganha de lavada no custo total. Mas se a taxa básica chegar a 10% ou menos — coisa improvável em 2026, mas possível em 2027 — o financiamento fica mais palatável. Quem quiser aproveitar essa janela, convém não demorar.

Gráfico de barras horizontais com projeções ABAC para 2026: imóveis +25%, eletroeletrônicos +20%, sistema +11%, serviços +8,5%, motos +7%, veículos leves +6%, pesados 0%
Projeções ABAC de crescimento por segmento em 2026

O que isso muda pra quem tá pensando em entrar

Os números confirmam: o crescimento do consórcio em 2026 não é acidente — e o produto deixou de ser nicho. Com 12,93 milhões de participantes ativos e meio trilhão em créditos, virou uma das principais engrenagens do crédito brasileiro — especialmente no imobiliário, onde já responde por 1 em cada 4 financiamentos.

Se você tá pensando em entrar num grupo em 2026, presta atenção em três coisas que esses dados revelam.

A primeira: grupos estão lotados. Cinco milhões de cotas novas por ano significa assembleias cada vez mais concorridas. Se você pretende dar lance pra antecipar a contemplação, esquece lance de 15% — em grupo grande, lance abaixo de 25-30% da carta raramente passa. Ou você entra com lance forte, ou se prepara pra esperar o sorteio.

Segunda coisa: o ticket médio está subindo. O Anuário 2026 confirma R$ 86,74 mil de ticket médio em dezembro de 2025 — alta de 10,7% sobre dezembro do ano anterior. Isso quer dizer que o brasileiro está contratando cartas mais gordas. Consórcio imobiliário de R$ 300 mil pra cima virou o padrão, não a exceção. Se o seu plano é nessa faixa, você está no segmento que mais cresce.

Terceira: quem quiser aproveitar a diferença brutal entre consórcio e financiamento, o momento é agora. A Selic já caiu de 15% pra 14,5% em dois cortes consecutivos (mar e abr/2026), e o Focus projeta 12,50% pro fim do ano. Quando isso acontecer, as parcelas do financiamento vão diminuir e a vantagem relativa do consórcio encolhe. Não desaparece, mas encolhe. Rode os números no comparador de consórcio vs financiamento pra ver a diferença com as taxas de hoje.

No geral, o setor vive o melhor momento da sua história. Meio trilhão em créditos comercializados, 1,77 milhão de contemplados, R$ 123 bilhões em cartas entregues, 12,93 milhões de participantes — recorde atrás de recorde. Se a queda da Selic vai frear esse ritmo ou só mudar o perfil de quem entra nos grupos, a gente vai saber nos próximos meses. Mas até lá, os números falam por si.

Se quiser ver como o consórcio cresce no seu estado, a ABAC publica os e-books gratuitos Consórcio pelo Brasil com dados regionais detalhados por segmento — a edição mais recente traz o acumulado de 2025 inteiro.

Perguntas frequentes

O consórcio vai continuar crescendo em 2026?

A ABAC projeta crescimento de 11% pro sistema como um todo. Imóveis deve liderar com +25%. O principal risco é a queda acelerada da Selic, que pode tornar o financiamento mais competitivo ao longo do ano.

Quantas pessoas participam de consórcio no Brasil em 2026?

Em março de 2026 eram 12,93 milhões de participantes ativos, segundo a ABAC — alta de 13% sobre o mesmo mês de 2025. Veículos leves (5,38 milhões em dez/2025), motocicletas (3,26 milhões) e imóveis (2,88 milhões) concentram a maior parte.

Por que veículos pesados caíram em 2025?

O segmento recuou 15% por causa da crise no agronegócio — endividamento recorde dos produtores rurais, adversidades climáticas e flutuação das commodities fizeram as transportadoras segurar investimentos.

A queda da Selic prejudica o consórcio?

No curto prazo, não. A Selic caiu de 15% pra 14,5% em dois cortes consecutivos (mar e abr/2026), mas o financiamento ainda é caro. Se cair pra 12,50% até dezembro — projeção do Boletim Focus — a vantagem do consórcio diminui, mas não desaparece, porque a taxa de administração segue muito abaixo dos juros compostos do financiamento.

Qual o ticket médio do consórcio em 2026?

O Anuário ABAC 2026 (ano-base 2025) confirma ticket médio de R$ 86,74 mil em dezembro de 2025, alta de 10,7% sobre dezembro de 2024. No segmento imobiliário, o ticket é bem maior: R$ 192.330 em dezembro de 2025.

Quantas pessoas foram contempladas em 2025?

Segundo o Anuário ABAC 2026, foram 1,77 milhão de consorciados contemplados em 2025 — alta de 4,1% sobre 2024. Em valor, isso virou R$ 123,16 bilhões em cartas de crédito liberadas, 22,4% a mais que o ano anterior.

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