Consórcio bateu todos os recordes em 2025 e a ABAC projeta mais 11% em 2026 — os números que explicam o boom
Consórcio cresceu 32% em créditos e 15% em adesões em 2025 segundo a ABAC. No 1o bimestre de 2026, créditos já subiram 15,5%. Veja os dados.
Engenheiro (UNESP) · CPA-20 (ANBIMA) · Cofundador de fintech · 20+ anos em tecnologia financeira
R$ 500,27 bilhões. Esse foi o volume de créditos comercializados pelo sistema de consórcio em 2025 — 32,1% a mais que em 2024. O número veio junto com 5,16 milhões de novas cotas vendidas e 12,76 milhões de participantes ativos em dezembro, todos recordes históricos segundo a ABAC. Pra colocar em escala: meio trilhão em créditos é mais do que o PIB de 20 estados brasileiros.
E sabe o que impressiona? 2026 começou ainda mais quente. No primeiro bimestre, o sistema acumulou 873,09 mil novas adesões — 8,8% a mais que o mesmo período do ano passado — e R$ 79,88 bilhões em créditos comercializados, alta de 15,5% (ABAC, fev/2026). O ticket médio em fevereiro bateu R$ 92.680. Quem achava que 2025 era pico vai precisar rever as projeções.
Os recordes de 2025 em números
Vou listar porque os números merecem destaque individual. Em outubro de 2025, o setor bateu o recorde absoluto de adesões: 518.180 cotas vendidas num único mês. Nunca aconteceu antes. Na média, foram 430 mil cotas por mês ao longo do ano — ritmo 15% mais rápido que 2024.
Na ponta do lápis: os créditos comercializados pularam de R$ 378,73 bilhões em 2024 pra R$ 500,27 bilhões em 2025. A diferença de R$ 121,5 bilhões num único ano daria pra construir 300 mil apartamentos de R$ 400 mil. Não é pouca coisa.
O número de consorciados também é inédito. Passou dos 12 milhões em julho de 2025 — pela primeira vez na história — e fechou dezembro em 12,76 milhões. Alta de 13,8% sobre 2024, quando eram 11,21 milhões. Em fevereiro de 2026, o número avançou mais: 12,85 milhões de participantes ativos, crescimento de 12,6% YoY — a ABAC já fala em “se aproximar dos 13 milhões”. Desses, 5,38 milhões estão em veículos leves, 3,26 milhões em motos e 2,88 milhões em imóveis.
O ICSC, termômetro de confiança do setor publicado pela ABAC, bateu 64,6 pontos em fevereiro de 2026 — a segunda melhor marca da história do índice. Pra quem não acompanha, a escala vai de 0 a 100 — acima de 50 já é otimismo. As próprias administradoras estão apostando que o bom momento continua.
Imóveis: o segmento que explodiu
De todos os segmentos, imóveis foi o que mais cresceu em 2025. As adesões subiram 36,2%, os créditos comercializados avançaram 48,4% e as contemplações anuais chegaram a 145 mil — com R$ 30,24 bilhões distribuídos em cartas de crédito.
O ticket médio do consórcio imobiliário fechou dezembro em R$ 192.330. São cartas de crédito de quase R$ 200 mil, o suficiente pra dar entrada num apartamento de R$ 800 mil ou comprar um imóvel inteiro em cidades médias.
Pra dimensionar o fenômeno: o consórcio imobiliário cresceu 294% em seis anos, segundo dados combinados da ABAC e da ABECIP. Em 2025, as contemplações de consórcio representaram 24,1% do total de imóveis financiados no país — praticamente um imóvel a cada quatro vendidos com crédito no Brasil passou pelo consórcio.
O que explica essa explosão? Juros altos. Com a Selic a 14,75% até março de 2026, o financiamento imobiliário ficou caro demais pra maioria das famílias. A Caixa cobra a partir de 11,19% ao ano mais TR no SFH (taxa balcão, fev/2026), e o CET — que inclui o seguro habitacional MIP/DFI obrigatório por lei — passa de 12% ao ano. Em bancos privados, o CET fica entre 12,5% e 13,5%. Num imóvel de R$ 400 mil, o custo total em 30 anos passa de R$ 1 milhão. No consórcio, com taxa de administração de 18% diluída em 200 meses, sai por volta de R$ 472 mil. A diferença paga um carro zero. Quem pode esperar, faz as contas e migra.
E a tendência não parou: no primeiro bimestre de 2026, as adesões de consórcio imobiliário cresceram 32,2% sobre o mesmo período de 2025, com R$ 45,81 bilhões em créditos comercializados — alta de 28,4% (ABAC, fev/2026). Eletroeletrônicos acelerou ainda mais: +62,4% em adesões no bimestre.
Se você tá considerando consórcio de imóvel, vale rodar os números no simulador de consórcio antes de falar com qualquer vendedor.
Quem mais cresceu — e quem encolheu
Ninguém esperava o que aconteceu com eletroeletrônicos. A ABAC tinha projetado 23% de crescimento pro segmento — conforme as perspectivas da ABAC para 2025. Veio 51%. O dobro. O brasileiro descobriu que dá pra juntar num grupo e trocar de celular ou montar um setup de trabalho sem pagar juros — e foi em massa. O ticket médio deu um salto de 183,4% só em dezembro. Traduzindo: a galera está comprando eletrônicos mais caros pelo consórcio, não só geladeira e fogão.
Serviços avançou 16,9%, puxado por reformas, viagens e cirurgias estéticas. Motos cresceram 8,3% e veículos leves 9,4% — ritmos sólidos pra segmentos que já são os maiores em volume absoluto. Junto, motos e carros somaram 3,35 milhões de adesões em 2025.
O único segmento no vermelho foi veículos pesados: queda de 15% nas adesões. O motivo? Crise no agronegócio. O endividamento e a inadimplência recorde dos produtores rurais, somados às adversidades climáticas e à flutuação das commodities, fizeram as transportadoras pisarem no freio. A ABAC já havia sinalizado cautela das montadoras, e os números confirmaram.
| Segmento | Adesões 2025 | Variação vs 2024 |
|---|---|---|
| Veículos leves | 1,91 milhão | +9,4% |
| Motocicletas | 1,44 milhão | +8,3% |
| Imóveis | 1,35 milhão | +36,2% |
| Eletroeletrônicos | 200,80 mil | +51,0% |
| Veículos pesados | 197,93 mil | -15,0% |
| Serviços | 61,73 mil | +16,9% |
Por que o consórcio cresce com Selic alta
A lógica é contraintuitiva mas simples. Quando os juros sobem, o financiamento fica mais caro. E o consórcio não cobra juros — cobra taxa de administração, que é fixa e definida no contrato. Enquanto o financiamento imobiliário da Caixa salta pra 13,5% a.a., a taxa de administração do consórcio continua em 15% a 20% diluída no prazo inteiro. São custos de natureza diferente, e a Selic alta faz o consórcio parecer — e ser — mais barato no comparativo.
O segundo fator é o mercado de trabalho. O desemprego caiu pra 5,1% no trimestre encerrado em dezembro de 2025, o menor da série histórica do IBGE desde 2012. Com 103 milhões de pessoas ocupadas e 38,9 milhões com carteira assinada, mais gente tem renda estável pra se comprometer com parcelas de longo prazo. A PNAD Contínua do IBGE confirma: a renda real do trabalho cresceu 7,5% em 2025.
E tem o fator psicológico. Quando o brasileiro vê que o financiamento custa R$ 1 milhão por um imóvel de R$ 400 mil, a alternativa sem juros — mesmo com espera e reajuste — ganha atratividade imediata. O consórcio virou refúgio de quem tem planejamento e não quer pagar o preço dos juros compostos.
Se você quer entender como o consórcio funciona na prática, o guia sobre o que é consórcio explica o mecanismo do zero.
O que a ABAC projeta para 2026
A ABAC projeta crescimento de 11% pro sistema como um todo em 2026. É um número mais conservador que os 15% de 2025, mas com distribuição desigual entre segmentos.
Imóveis deve crescer 25% — o segmento mais forte de novo. Eletroeletrônicos, 20%. Serviços, 8,5%. Motos, 7%. Veículos leves, 6%. Pesados fica estável — a ABAC não espera recuperação significativa enquanto o agro não reequilibrar as contas.
E tem dois fatos recentes que dão peso a esse otimismo. Na quarta-feira passada, 18 de março, o COPOM fez o que não fazia desde maio de 2024: cortou a Selic. De 15% pra 14,75%. Corte tímido? Sim. Mas é o primeiro em quase dois anos, e foi unânime — todos os sete diretores do Banco Central votaram a favor. O Boletim Focus precifica Selic em 12,50% até dezembro — se acontecer, serão 2,25 pontos de queda no ano. E tem mais: a renda das famílias deve crescer 4% em 2026. Mais gente com dinheiro no bolso, mais gente conseguindo bancar parcela longa.
Agora, um ponto que ninguém está discutindo: se a Selic cair rápido demais, o financiamento volta a competir com o consórcio. Hoje, com CET imobiliário entre 12% e 13,5% ao ano (juros nominais a partir de 11,19% mais IOF e seguro habitacional MIP/DFI obrigatório), o consórcio ganha de lavada no custo total. Mas se a taxa básica chegar a 10% ou menos — coisa improvável em 2026, mas possível em 2027 — o financiamento fica mais palatável. Quem quiser aproveitar essa janela, convém não demorar.
O que isso muda pra quem tá pensando em entrar
Os números confirmam: o crescimento do consórcio em 2026 não é acidente — e o produto deixou de ser nicho. Com 12,85 milhões de participantes ativos e meio trilhão em créditos, virou uma das principais engrenagens do crédito brasileiro — especialmente no imobiliário, onde já responde por 1 em cada 4 financiamentos.
Se você tá pensando em entrar num grupo em 2026, presta atenção em três coisas que esses dados revelam.
A primeira: grupos estão lotados. Cinco milhões de cotas novas por ano significa assembleias cada vez mais concorridas. Se você pretende dar lance pra antecipar a contemplação, esquece lance de 15% — em grupo grande, lance abaixo de 25-30% da carta raramente passa. Ou você entra com lance forte, ou se prepara pra esperar o sorteio.
Segunda coisa: o ticket médio está subindo. R$ 92.680 em fevereiro de 2026, alta de 2,7% sobre o mesmo mês do ano anterior. Isso quer dizer que o brasileiro está contratando cartas mais gordas. Consórcio imobiliário de R$ 300 mil pra cima virou o padrão, não a exceção. Se o seu plano é nessa faixa, você está no segmento que mais cresce.
Terceira: quem quiser aproveitar a diferença brutal entre consórcio e financiamento, o momento é agora. Quando a Selic cair pra 12,50% — projeção do Boletim Focus pro final de 2026 — as parcelas do financiamento vão diminuir e a vantagem relativa do consórcio encolhe. Não desaparece, mas encolhe. Rode os números no comparador de consórcio vs financiamento pra ver a diferença com as taxas de hoje.
No geral, o setor vive o melhor momento da sua história. Meio trilhão em créditos, 12,85 milhões de participantes, recorde atrás de recorde. Se a queda da Selic vai frear esse ritmo ou só mudar o perfil de quem entra nos grupos, a gente vai saber nos próximos meses. Mas até lá, os números falam por si.
Se quiser ver como o consórcio cresce no seu estado, a ABAC publica os e-books gratuitos Consórcio pelo Brasil com dados regionais detalhados por segmento — a edição mais recente traz o acumulado de 2025 inteiro.
Perguntas frequentes
O consórcio vai continuar crescendo em 2026?
A ABAC projeta crescimento de 11% pro sistema como um todo. Imóveis deve liderar com +25%. O principal risco é a queda acelerada da Selic, que pode tornar o financiamento mais competitivo ao longo do ano.
Quantas pessoas participam de consórcio no Brasil em 2026?
Em fevereiro de 2026 eram 12,85 milhões de participantes ativos — se aproximando dos 13 milhões, segundo a ABAC. Veículos leves (5,38 milhões), motocicletas (3,26 milhões) e imóveis (2,88 milhões) concentram a maior parte.
Por que veículos pesados caíram em 2025?
O segmento recuou 15% por causa da crise no agronegócio — endividamento recorde dos produtores rurais, adversidades climáticas e flutuação das commodities fizeram as transportadoras segurar investimentos.
A queda da Selic prejudica o consórcio?
No curto prazo, não. A Selic caiu de 15% pra 14,75% em março de 2026, mas o financiamento ainda é caro. Se cair pra 12,50% até dezembro — projeção do Boletim Focus em abril — a vantagem do consórcio diminui, mas não desaparece, porque a taxa de administração segue muito abaixo dos juros compostos do financiamento.
Qual o ticket médio do consórcio em 2026?
Em fevereiro de 2026, o ticket médio geral chegou a R$ 92.680, alta de 2,7% sobre fevereiro de 2025. No segmento imobiliário, o ticket é bem maior: R$ 192.330 em dezembro de 2025.
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