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Consórcio pelo Brasil: onde o mercado mais cresce, quais estados lideram e o que os dados regionais da ABAC revelam sobre 2025

Dados da ABAC por estado e região em 2025: Sudeste concentra 46% dos carros, Nordeste lidera motos com 40% e Centro-Oeste cresce acima da média. Mapa completo.

Rodrigo Freitas

Rodrigo Freitas

Engenheiro (UNESP) · CPA-20 (ANBIMA) · Cofundador de fintech · 20+ anos em tecnologia financeira

Vista aérea de mapa do Brasil com luzes de cidades à noite mostrando concentração econômica no Sudeste e litoral
12,76 milhões de consorciados ativos em dezembro de 2025 — mas a distribuição entre estados é tudo menos uniforme

Quem olha os 12,76 milhões de consorciados ativos em dezembro de 2025 pode ter a impressão de que o consórcio é uma coisa só no Brasil inteiro. Não é. No Nordeste, consórcio é sinônimo de moto — quase 40% de todas as cotas de moto do país saem de lá. No Sudeste, o jogo é carro e imóvel. No Centro-Oeste, o agronegócio puxa as cotas de máquinas pesadas. E o Sul? Reforma, viagem e procedimento estético — consórcio de serviço virou forte lá.

A ABAC acaba de soltar a série “Consórcio pelo Brasil” com sete e-books trazendo dados de consórcio por estado referentes ao primeiro semestre de 2025. É o raio-x mais detalhado que existe do mercado. E quem lê percebe rápido: o mapa do consórcio no Brasil conta histórias muito diferentes dependendo do CEP.

Sudeste: o maior mercado, mas não o que mais cresce

O Sudeste concentra 46% das adesões de veículos leves e 46% dos participantes ativos nesse segmento. São Paulo sozinho responde por cerca de metade desse volume — não surpreende, sendo o estado com maior PIB e frota do país.

Em números absolutos, o Sudeste vendeu 431.866 cotas de veículos leves no acumulado (dados ABAC/BACEN), com 1,69 milhão de participantes ativos. É o maior mercado por volume. Mas quando a gente olha o ritmo de crescimento, a história muda. Só que em 2025, quem cresceu mais rápido em novas adesões foi Nordeste e Centro-Oeste. Faz sentido: base menor, renda subindo, e o brasileiro lá fora de São Paulo descobrindo que consórcio existe pra ele também.

No consórcio imobiliário, o Sudeste é dominante de forma ainda mais clara. O ticket médio do setor fechou dezembro em R$ 192.330 (ABAC, dez/2025), mas em São Paulo é comum encontrar cartas de R$ 300 mil a R$ 500 mil — compatíveis com o preço dos imóveis na capital e no litoral. Quem mora em Ribeirão Preto, Campinas ou Santos paga caro pra morar, e o consórcio vira alternativa real ao financiamento com Selic a 14,75%.

Se você quer ver como a conta fecha no seu caso, rode os números no simulador de consórcio antes de falar com vendedor.

Gráfico de barras horizontais mostrando distribuição de adesões de veículos leves por região: Sudeste 46,4%, Nordeste 20%, Sul 16,7%, Centro-Oeste 10,6% e Norte 6,3%
Distribuição das adesões de veículos leves por região — Sudeste domina em volume absoluto (dados ABAC/BACEN)

Nordeste: a capital brasileira do consórcio de moto

Aqui está o dado que surpreende quem só olha a média nacional. O Nordeste responde por 39,8% de todas as cotas de moto vendidas no Brasil. São 317.043 adesões contra 202.843 do Sudeste — quase o dobro em proporção à população.

Por que moto no Nordeste? Porque moto não é lazer lá. É transporte. Em cidades do interior do Ceará, da Bahia e de Pernambuco, a moto é a forma de ir trabalhar, levar filho na escola e entregar mercadoria. Uma em cada quatro residências do Nordeste tem moto na garagem, segundo dados da PNAD/IBGE. E o consórcio é o canal de compra: mais da metade das motos vendidas na região passa pelo sistema de consórcio.

Em participantes ativos, o Nordeste tem 766 mil consorciados só no segmento de motos — 35,8% do total nacional. Para comparação, o Sul inteiro tem 252 mil.

O motivo econômico é direto. Uma Honda CG 160, que custa cerca de R$ 15 mil, não passa fácil na análise de crédito do financiamento convencional quando o comprador ganha um salário mínimo e meio. O consórcio não exige renda mínima pra entrar — só pra contemplação. Então o trabalhador assina, paga a parcela de R$ 300-400 por mês e espera o sorteio ou junta lance. Funciona. Os números comprovam.

Se você está nesse perfil, vale comparar as opções no guia de consórcio de moto.

Centro-Oeste: o agro puxa as cotas pesadas

O Centro-Oeste participa com 15,9% dos negócios de veículos pesados. Pode parecer pouco comparado ao Sudeste (39,1%), mas considerando que a região tem apenas 8% da população do país, a proporção é o dobro do esperado.

O agronegócio explica. Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul concentram a maior área plantada de soja, milho e algodão. Cada safra exige frota de caminhões, colheitadeiras e plantadeiras — e o consórcio de veículos pesados financia boa parte dessa renovação. O setor encerrou 2025 com 916 mil participantes ativos e quase R$ 25 bilhões em créditos disponibilizados (ABAC, dez/2025).

Dentro dos pesados, 51% dos consorciados são de máquinas agrícolas, 41% de caminhões e 8% de outros equipamentos. No Centro-Oeste, a proporção de máquinas agrícolas é ainda maior — o que faz sentido pra quem dirige pela BR-153 em época de colheita e vê fila de carretas graneleiras por quilômetros.

Agora, o curioso: enquanto quase todo segmento bateu recorde em 2025, veículos pesados caiu 15% nas adesões. O agro apanhou. Endividamento recorde dos produtores, seca brava em Mato Grosso e commodity despencando fizeram as transportadoras segurar a carteira. Quem dirige pela BR-060 em Goiás sentiu: menos carreta nova, mais caminhão velho rodando. Mas safra é safra — uma colheita boa em 2026 e esse cenário vira rápido.

Sul: serviços e imóveis de ticket alto

O Sul tem perfil próprio. Destaque para o consórcio de serviços, que inclui reforma residencial, viagem e procedimentos estéticos. A região também se destaca em imóveis, com segundo lugar em participantes ativos.

Em veículos pesados, o Sul responde por 25,1% das adesões — segundo lugar atrás do Sudeste, mas com participação desproporcional à população. As cooperativas agrícolas de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul usam consórcio como ferramenta de renovação de frota de forma bem organizada. Grupos de 10-15 cooperados entram juntos e combinam a estratégia de lance.

O consórcio de serviços do Sul cresceu junto com o boom nacional do segmento, que movimentou mais de R$ 1 bilhão em créditos comercializados em 2025 — alta de 26,1% sobre 2024. Reformar casa sem financiar, parcelar cirurgia estética sem cartão de crédito: o consórcio de serviço ganhou espaço onde antes só havia boleto bancário.

Norte: moto e o desafio do acesso

O Norte é o segundo mercado de motos proporcionalmente à população. Amazonas e Pará puxam os números, com 136.719 adesões de moto (17,2% do total nacional). Em áreas ribeirinhas e rurais, a moto é literalmente o único veículo viável em estradas sem pavimentação.

Em veículos leves e imóveis, a participação é menor — 6,3% e 5,4% respectivamente. Mas o crescimento percentual é alto. A expansão do crédito formal, o aumento da renda real (alta de 7,5% em 2025, segundo IBGE/PNAD Contínua) e a digitalização dos processos de adesão — que dispensa ida a escritório físico — empurram o consórcio pra regiões antes subatendidas.

Gráfico de barras horizontais mostrando adesões de consórcio de motos por região: Nordeste 39,8%, Sudeste 25,5%, Norte 17,2%, Centro-Oeste 9,8%, Sul 7,8%
Consórcio de motos por região — Nordeste lidera com quase 40% das adesões nacionais (dados ABAC/BACEN)

O mapa por segmento: onde cada tipo de consórcio é mais forte

O padrão fica claro quando a gente cruza segmento com região. Cada parte do Brasil tem um perfil de consórcio dominante, moldado pela economia local.

Região líder por segmento de consórcio em 2025
SegmentoRegião líder% do totalO que explica
Veículos levesSudeste46,4%Maior PIB, maior frota, mais concessionárias
MotocicletasNordeste39,8%Moto como transporte principal, acesso via consórcio
ImóveisSudeste~45%Tickets altos, demanda por alternativa ao financiamento caro
Veículos pesadosSudeste39,1%Logística e indústria concentradas
Pesados (proporção)Centro-Oeste15,9%Agro: máquinas, caminhões, colheitadeiras
EletroeletrônicosSudeste~44%Renda, acesso digital, ticket subindo 183%
ServiçosSulDestaqueReforma, viagem, procedimentos estéticos

O detalhe que faz diferença: quando o segmento que mais cresce no Brasil (eletroeletrônicos, +51% em adesões em 2025) encontra regiões com renda em expansão (Nordeste e Centro-Oeste, com PIB crescendo acima da média), o potencial de novas cotas é enorme. A ABAC projeta crescimento de 11% para o sistema em 2026, mas nos e-books estaduais fica evidente que algumas regiões vão puxar esse número muito mais que outras.

O que o Banco Central vê: consórcio por estado

O BACEN mantém uma base de dados por UF atualizada trimestralmente. Os dados incluem: participantes ativos por administradora e estado, contemplações por sorteio e por lance, e créditos liberados — tudo segmentado por tipo de bem.

Três indicadores que chamam atenção nos dados mais recentes.

Primeiro: a concentração. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro juntos respondem por mais de 40% dos participantes em veículos leves. É muita coisa concentrada em três estados.

Segundo: o crescimento desproporcional. Estados como Goiás, Pará e Ceará estão entre os que mais crescem em adesões. O deslocamento do agro para o Centro-Norte e a urbanização de capitais nordestinas empurram a demanda por crédito planejado — e o consórcio preenche essa lacuna.

Terceiro: a diferença no ticket médio. Um consórcio imobiliário em São Paulo tem carta média de R$ 350 mil ou mais. No Maranhão, com R$ 150 mil você fecha negócio. Em Campinas, essa grana não compra nem um studio. Falar “consórcio de imóvel” sem especificar o estado é como comparar preço de almoço em Teresina com menu executivo na Faria Lima — não faz o menor sentido.

Se você quer entender os recordes nacionais que estão por trás desses números estaduais — R$ 500 bilhões em créditos, 5,16 milhões de cotas vendidas — tem tudo no artigo sobre o crescimento do consórcio em 2025.

Por que os dados regionais importam pra quem vai entrar num grupo

Se você está pensando em aderir a um consórcio, os dados por estado mudam três decisões práticas.

A primeira é o tamanho do lance. Em estados com muita concorrência — SP, MG, PR — os grupos são grandes e o lance médio para contemplação é mais alto. Lance de 15% da carta raramente passa em grupo paulista. Em estados com menos participantes, o lance competitivo pode ser menor. Saber a concentração do seu estado ajuda a calibrar a estratégia.

A segunda é o segmento certo. Se você mora no Centro-Oeste e quer consórcio de caminhão pra frete, está num mercado forte — as administradoras oferecem condições melhores onde há mais demanda. Se mora no Nordeste e quer moto, tem mais opções e maior competição entre administradoras, o que puxa a taxa pra baixo.

A terceira é o reajuste. O INCC que corrige parcela de consórcio imobiliário acumulou 6,01% em 12 meses (FGV, jan/2026). Mas o custo real da construção varia por estado — e o impacto no bolso de quem paga parcela em Belém é diferente de quem paga em São Paulo.

Os e-books “Consórcio pelo Brasil” da ABAC, com dados de consórcio por estado e por segmento, estão disponíveis gratuitamente em materiais.abac.org.br/e-books-estaduais. São sete edições cobrindo todos os 26 estados e o DF. Quem quer comprar com dados e não com achismo deveria baixar o e-book do seu segmento antes de assinar qualquer coisa.

Perguntas frequentes

Qual região do Brasil tem mais consorciados?

O Sudeste concentra cerca de 46% dos participantes ativos em veículos leves e aproximadamente 45% em imóveis. São Paulo é o estado com maior volume absoluto. Mas proporcionalmente à população, o Nordeste se destaca em motos (39,8% do total) e o Centro-Oeste em veículos pesados (15,9% com apenas 8% da população).

Por que o Nordeste lidera em consórcio de moto?

Porque a moto é o principal meio de transporte no interior da região. O acesso ao financiamento convencional é restrito para rendas baixas, e o consórcio não exige renda mínima na adesão. Mais da metade das motos vendidas no Nordeste passa pelo sistema de consórcio, segundo dados da ABAC e de fabricantes como Honda.

Onde encontro dados de consórcio do meu estado?

Duas fontes oficiais: os e-books “Consórcio pelo Brasil” da ABAC, com dados por estado e segmento, e a base de dados do BACEN por UF, atualizada trimestralmente com participantes, contemplações e créditos por administradora e estado.

A taxa de administração varia por estado?

A taxa é definida pela administradora, não pela região. Mas na prática, estados com mais concorrência entre administradoras tendem a ter ofertas melhores. SP, MG e PR concentram mais opções. Para comparar, use o simulador de consórcio com a mesma carta e prazo em diferentes administradoras.

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